Grande Estudioso

Estudou incessantemente o canto

Gabriella Besanzoni Lages foi sua primeira mestra.
Murillo de Carvalho e maestros como Franco Ghione foram contínua inspiração.

Artista Polivalente

Erudito e Popular

Paulo fortes foi um aclamado cantor lírico que nunca abandonou a seresta.
Dominou o palco como ninguém, sendo incansável defensor dos artistas brasileiros.

Óperas: Domínio

O Artista que mais se apresentou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Com mais de 87 apresentações, Paulo Fortes ajudou a divulgar a cultura no Estado do Rio de Janeiro.
Muitas outras apresentações foram feitas em diversos países.

Voz é Dom, Técnica é Ciência, Canto é Arte.

Murilo de Carvalho

Paulo Fortes Segundo ...

Millôr Fernandes

Paulo Fortes, barítono, é, por definição, um erúdito (assim paroxítona). Erudito (assim proparoxítona). Erudito no caso é aquele xiita da música antigamente chamada clássica, incapaz de cantar "Mamãe eu quero" mesmo no banheiro vizinho (ou quem sabe, do mesmo). Erúdito é o que não está nem aí , brinca nas sete. Paulo a vida inteira cantou o que lhe veio à garganta. Muito antes de Plácido, Carreiras e Pavarotti abalarem as paredes de Caracalla com Marias Bonitas e Soles Mios, eu já ouvia Paulo Fortes misturando Traviatas com Chãos de Estrelas e Toscas com Luares de Prata. Um barítono seresteiro.

E, apenas para que o espectador que lê isto não pense que estou improvisando um elogio, como é comum nas apresentações, lembro que o título deste show, Ternas Eternas Serestas, foi dado por mim a um disco de Paulo, há muito, muito tempo. SHHH, agora escutem!

 

Jorge Coli

Se abrirmos o dicionário de ópera de Charles Osborne no verbete Paulo Fortes, encontramos: barítono brasileiro. Um dos maiores e mais versáteis cantores líricos do Brasil. Não há dúvida: Paulo Fortes é artista de primeira linha. Sua voz foi educada por Gabriela Besanzoni, grande mestra que o deixou com infalível técnica. A este saber acrescenta a beleza do timbre, a musicalidade instintiva, a generosidade natural de seus meios, os grandes dotes de ator. Tudo isto junto faz com que ele seja capaz de nuanças mais sutis, modulando admiravelmente dos fortes aos pianos e vice-versa, vocalizando com precisão, colorindo cada nota e imprimindo ao que canta dramática ou cômica interpretação.

Sua voz é exemplo perfeito do chamado barítono di grazia, isto é, o barítono que possui grande facilidade nos agudos, que é capaz de agilidade vocal, cujo o timbre se caracteriza por luminosidade e leveza. Realmente, é impressionante o modo como Paulo Fortes ataca, sem esforço, as notas altas, como seu fraseado possui flexibilidade perfeitamente dominada. Assim suas interpretações, tanto no Brasil quanto no estrangeiro, são ao mesmo tempo exemplares e exaltantes.

Assinale-se o amplo repertório que domina, numa gama prodigiosa, que vai aos extremos estilísticos, de Mozart a Wagner, de Carlos Gomes, Verdi e Puccini a Peter Maxwell Davies - a quem Paulo Fortes deu memorável versão para Oito Canções Para um Rei Louco, no Municipal de São Paulo, revelando entre nós a obra deste grande compositor contemporâneo.

Além dos momentos célebres do repertório, como Barbeiro de Sevilha ou Rigolleto, Paulo Fortes, desde o início de sua carreira, (quando fazia, por exemplo, no Teatro Carlo Felice de Genova, a estréia italiana de Djamileh, esquecida ópera de Bizet) possui um grande amôr por obras mais secretas, através dos caminhos que evitam os "Cavalos de Batalha", fazendo emergir preciosidades. (1992).

 

Carlos Heitor Cony

Em futebol, seria polivalente: joga em várias posições. Em religião seria ecumênico: une e reúne diversas correntes de expressão. Mas em termos humanos ele é apenas imenso (em nome, talento e figura) Paulo Gomes de Paiva Barata Ribeiro Fortes, copidescado para Paulo Fortes, carioca da Rua do Riachuelo (ex Mata Cavalos ), safra de 1923, aquariano, Americano (houve época em que o clube de Campos Sales tinha cinco parentes dele no primeiro time), cantor lírico, formado em Direito, passagem compulsória pelo CPOR de São Cristóvão, um carioca típico no bem e no mal - mal aqui entendido pela capacidade Tamoia de ter aquele jogo de cintura (nunca de espinha) que deixa na mão os idiotas do caráter e da verdade. Paulo está de longa duração na praça - duração e clandestina que ele manteve com a seresta ao mesmo tempo em que, desde o ocaso Reis e Silva e Silvio Vieira, tornou-se o maior barítono do Brasil em cancha, presença e voz.

Foi assim que conheci, há anos, quando me botaram para escrever programas na antiga Rádio Jornal do Brasil, então PRF-4. Minha tarefa era escrever os programas do maior barítono do Brasil: aquele vozeirão imenso, acompanhado pela bravíssima orquestra do Maestro Carlos Viana de Almeida, cantava boleros, canções napolitanas, trechos líricos. Uma gentil mistura de Frenesi, Perfídia, Granada, com Cavatina do Barbeiro, O toreador da Carmem, a Canção do Aventureiro do Guarani. Minha obrigação era unir em má literatura aquela substanciosa salada canora e deixar Paulo Fortes inundar os estúdios e ouvintes com sua voz poderosa e maleável.

Paulo também se transformou em produtor, fez programas muito bem sacados (Cantam as Ruas, por exemplo), mostrando que não havia leito imune ao caudal que trazia dentro de imenso peito. Vieram as viagens ao exterior, sucesso em Florênça, em Nápoles em Buenos Aires, alguns filmes nacionais, papéis em tevê, parece que preferia contracenar com Jô Soares ou ser marido enganado em filmes de Jece Valadão a ser obrigado a cantar pela milionésima vez a temida, a fatal, a inexorável cavatina do Barbeiro de Sevilha, afinal ele era Paulo Fortes porque, no mundo inteiro raríssimos barítonos conseguiam o famoso lá natural que o Rossini - um gozador de gênio - colocou logo à entrada de sua ópera para mostrar que o Fígaro devia ser mesmo um Largo Al Factotum no drama de Beuamarchais e na escala musical.

Nesse meio tempo, e ao longo de suas andanças em gêneros, topou com o desafio de Sérgio Cabral e WEA: gravar um elepê de serestas. Juntar a fome com a vontade de comer. Bem, o disco de Paulo Fortes ("Ternas Eternas Serestas") é um fato artístico e cultural que faz bem saudar, faz bem ao Brasil. É uma conversa eternamente antiga, por isso sempre nova: delírios nervosos, vespa da intriga, lua airosa, dilúvio de falenas, o som do pinho, ais convulsos, noite constelada, trevas do porvir a dedilhar modinhas - o Brasil Brasileiro, Carioca, que a voz de Paulo Fortes torna mais vivo, mais quente, mais nosso.

Comentários

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Incrível! Conheci o site há pouco tempo e estou achando simplesmente incrível. Adoro música clássica e o pouco que li aqui, já sanou muitas dúvidas que tinha. Apoio inteiramente o trabalho de vocês! Estou às ordens.

André Martins

Olá, venho por meio deste, parabenizar o site sobre o artista completo, que foi o senhor Paulo Fortes, pelo excelente material oferecido. Estudo música e sem dúvida alguma, esse é o melhor trabalho oferecido na net. As informações são apresentadas com seriedade, porém, de forma simples facilitando o aprendizado do leitor...

Claudio Barcelos

Bom dia, foi um achado descobrir este site, somos músicas há anos e só agora nos deparamos com a história deste artista tão importante para a música brasileira e mundial. Que DEUS vos abençoe por disponibilizar estas informações maravilhosas. “Tamo Junto”. Abraços!

Judith Chaves