Biografia

Paulo de Paiva Fortes, (1923-1997) nasceu em 7 de fevereiro, no Rio de Janeiro, filho de Auto Barata Fortes e Zélia de Paiva Fortes. No mesmo ano ocorria a reação protestante contra a construção do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, que foi enérgica e imediata, como se pode ver nesta nota publicada em O Jornal Batista, órgão oficial da Convenção Batista Brasileira, em 22 de março de 1923: “Já está constituída a grande comissão para levar avante o plano de erigir no alto do Corcovado a imagem de Christo. Isto será a um tempo um atestado eloqüente de idolatria da igreja de Roma e uma afronta a Deus. No dia em que tal crime se consumar, bom seria que todos os verdadeiros crhristãos no Brasil se reunissem em culto penitencial, para pedir a Deus que não imputasse a todo o Brasil esse grande pecado, cuja responsabilidade deve recahir sobre a Igreja Catholica e sobre os governantes que não souberam ou não quiseram fugir à armadilha, preparada por ella com a isca do patriotismo. Deus tenha misericórdia de nós”. 

O espetáculo TERNAS E ETERNAS SERESTAS nasceu de um desejo: ouvir a potente voz de um dos maiores artistas líricos do país cantando canções populares, serenatas que o próprio barítono já havia gravado, mas nunca cantado em público.  Paulo Fortes tinha 86 óperas em seu repertório (sem contar as operetas e comédias musicadas), cantou ao lado de lendas como Maria Callas, Renata Tebaldi, Beniamino Gigli, foi contratado do Teatro Comunale di Firenze, fez programas de rádio, filmes e vários programas de televisão, mas faltava encontrar o seu público para relembrar os tempos quando, ao lado do pai, apaixonado por serestas, cantava sucessos como “Deusa da Minha Rua”, “Guacyra”, “Arranha-Céu”, “Eu sonhei que tu estavas tão linda”, “Lua Branca”, além de boleros como “La Barca”. Completava o show uma seleção de músicas italianas, como “Mattinata” e “Torna a Surriento”. Acompanhado por quatro músicos, Paulo Fortes contava, ainda, com a graça e o talento da dançarina flamenca Vera Alejandra, com quem dividia o palco quando soltava sua voz em sucessos do cancioneiro andaluz. O espetáculo estreou no Rio de Janeiro, no Teatro Rival e depois fez temporadas em Brasília e Belo Horizonte, além de cidades do interior dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Na Faculdade de Direito participou do Teatro Universitário (TU), dirigido por Gerusa Camões, em diversas peças de teatro e também na Viúva Alegre. O Mº José Torre o viu neste espetáculo e o levou a estudar com Gabriella Besanzoni. Em junho de 1945, Gabriella se despedia da carreira e o apresentava em um concerto no Theatro Municipal e na Rádio Gazeta de São Paulo. Neste mesmo ano, em 5 de outubro, estreava no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em La Traviata. Ele considerava esta data como a de sua estréia profissional. Estudou também com Murillo de Carvalho, Pina Monaco e Flaminio Contini em Florença. A crítica escreveu: “O grande êxito da noite, porém, coube a Paulo Fortes, jovem barítono brasileiro, de apenas 22 anos. Desde que pisou a cena, encarnando o velho “Germont”, causou a melhor impressão pelo seu porte, suas maneiras, bem longe de revelar o estreante que ele era. E foi essa impressão que avolumou durante o seu trabalho, até atingir o “clímax” tão famoso em “De Provença.” ...

Paulo Fortes deveria submeter-se a uma cirurgia na próstata. Faleceu no dia 9 de janeiro de 1997, aos 70 anos, de colapso cardíaco, no Rio de Janeiro. No dia 8 foi internado para fazer alguns exames médicos e no dia seguinte, quando voltava para casa, sentiu-se mal. Voltou para o hospital, mas nada mais pode ser feito. Folha de São Paulo de 10/02/1997: O barítono Paulo Fortes, 70, morreu ontem pela manhã, no Rio, de insuficiência respiratória. Ele estava internado no hospital Samaritano, onde seria submetido a uma operação -não realizada- para retirar um tumor na próstata. Paulo Fortes iniciou sua carreira em 1945, interpretando a ópera "La Traviata", de Verdi, no Teatro Municipal do Rio. Quando criança, Fortes acompanhava o pai em serestas. Depois, foi aluno da italiana Gabriella Besanzoni, uma das mais conhecidas contraltos do mundo. Em seus 52 anos de carreira, Fortes já havia representado mais de 80 papéis, em 11 idiomas. O barítono não era conhecido apenas no Brasil. Ele apresentou-se também em Portugal, Itália e Argentina.